Percebi que muita da minha ansiedade vinha da tentativa de entender tudo rápido demais. Mas eu processo a vida devagar. Preciso de tempo, silêncio e, às vezes, uma noite de sono. E quando eu respeito meu próprio ritmo, a clareza vem. Talvez confiar no próprio processo também seja uma forma de se acalmar. Outro dia eu estava vendo a entrevista da Marina Sena pra Érika Hilton, no Érika Pod, que é o podcast dela, e a Marina falou assim: Um milhão de coisas muito interessantes, meu Deus que diva, que inspiração! Mas teve uma coisa que ela falou, que clicou uma coisa assim pra mim, aquela virada de chave mestre, e eu quero compartilhar com vocês. Tem um momento na entrevista que ela fala assim: Que ela percebe que ela processa as coisas devagar. "Respeitar meu tempo para as coisas, que é uma coisa que eu não entendia meu tempo, alguma coisa ruim acontecia que me entristecia, e no momento eu não sentia nada e eu ficava uma semana assim sem sentir nada, aí daqui a pouco passava uma semana aí eu sentia aquela coisa, aí doía, ah tá eu tenho tempo pra assimilar as coisas, aceita de você ter esse tempo." E na hora que ela falou isso, eu primeiro fiquei maravilhada dela acompanhar o próprio processo no espaço tão longo de tempo, ela fica percebendo como que o próprio corpo e a mente dela estão evoluindo ao longo de dias e de semanas. Muita gente assim passa o dia inteiro só pensando no que tem que fazer, nas coisas do dia, e não tem essa consciência de acompanhar os próprios processos internos que estão ocorrendo, os que são mais sutis. Nesse momento de fala dela, isso me bateu muito forte aqui dentro, porque eu também processo as coisas devagar. E eu percebi que muita ansiedade que eu tenho no dia-a-dia, acontece quando eu estou me forçando a saber o que fazer, quando eu ainda não terminei de processar. Eu percebi que várias vezes quando a minha mente está naquele modo acelerado, aquele sentimento de angústia, pensando e raciocinando muita coisa, as 99 abas abertas no meu cérebro, o meu estado de ansiedade em alta, quando eu me encontro agitada, a minha percepção é que quando eu estou nesse estado mental eu estou me forçando a saber uma coisa que eu não sei, a decidir uma coisa que eu ainda não decidi, a entender uma coisa que eu ainda não entendi. Então quando eu tenho tempo pra processar, eu entendo as coisas bem, eu entendo com clareza, eu tomo boas decisões. Então ver aquele trecho da entrevista dela, acabou me trazendo de que eu posso confiar mais no meu próprio processo também, mesmo que pra mim sendo uma mulher autista as dificuldades sejam bem maiores, pelo processamento do meu cérebro, todas as suas funcionalidades, enfim. Eu não preciso me apressar se eu ainda não estou pronta, porque quando eu estiver pronta, aí as coisas podem realmente dar certo, isso é respeitar o meu próprio sistema.
— .(Escrito dia 28/05/2026, às 18:09).


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