« Anterior 14/07/2024 - 14:56
Certa vez eu vi um documentário sobre a França retratando a cultura, costumes, religião, culinária, músicas, afins. Mas uma coisa me chamou a atenção, era um costume deles realizarem a própria reforma das casas onde moravam, eles não tinham o hábito de terceirizar esse trabalho como fazemos aqui no Brasil, eles juntavam toda a família e colocavam a mão na massa, principalmente nos finais de semana. Escutei atentamente, que eles mesmos concebiam o projeto e a reforma praticamente sozinhos, e que não era uma questão de necessidade financeira, mas uma escolha.
Agora, veja bem... Eu, como grande parte das pessoas, não nasci num lar de apreciadores do "Faça você mesmo", em matéria de reforma. Minhas experiências anteriores com o assunto sempre consistiram simplesmente em tentar sobreviver dentro de um ambiente sujo, barulhento e cheio de trabalhadores, numa posição passiva de observadora, enquanto profissionais reformavam a casa. A satisfação do resultado final, apesar de existir, sempre foi rapidamente superada pelo alívio de poder simplesmente viver numa casa limpa e silenciosa outra vez. "Ficou ótimo, mas ainda bem que acabou!"
Por outro lado, pra muitas pessoas isso pode parecer algo aborrecedor, esse tipo de atividade. O paradoxo é que são justamente as tarefas consideradas "Aborrecedoras" que têm o maior potencial para serem gratificantes, porque são elas que envolvem uma carga ativa de trabalho. Existem várias pequenas ações que desempenhamos na nossa vida cotidiana que possuem uma grande capacidade adormecida de nos trazer satisfação. O problema é que aprendemos a detestá-las, e, quanto mais as detestamos, menos satisfação obtemos no dia a dia. Esse é mais um dos inúmeros casos de "O seu pensamento molda a sua realidade."
No entanto, preciso dizer que acho muito curioso como as ideias e percepções das coisas chegam até nós. Ouvimos muitas opiniões diferentes sobre assuntos diferentes, e isso sem dúvida influencia o nosso entendimento do mundo á nossa volta. As histórias e ponto de vistas dos outros são ferramentas extremamente valorosas para esculpir as nossas próprias crenças sobre tudo. Eu gosto de pensar nas opiniões e vivências que as pessoas compartilham como mapas e lanternas. Mapas, porque às vezes elas te apontam a existência e te mostram o caminho pra um quarto na sua cabeça que você ainda não sabia que existia, um assunto sobre o qual você nunca tinha parado pra pensar antes; E lanternas, porque às vezes elas te ajudam a iluminar mais objetos dentro de um quarto que você já conhece, mas continua escuro. Isso é maravilhoso, e pra mim é a prova de valor e da beleza da experiência compartilhada entre os seres humanos.
Mas existem quartos e quartos. Alguns você quer muito iluminar, outros nem tanto. Alguns, é claro, são tão tenebrosos que uma espiadela com a lanterna emprestada por alguém é suficiente pra que você decida jamais tentar acender a luz. A lanterna é uma formidável ferramenta pra nos dar indícios sobre os quartos a investigar, e às vezes permite também saber quais quartos evitar. É claro que esse é um exemplo muito simplório e reducionista. Primeiro porque, na maioria das vezes, existem inúmeros elementos complexos e conflitantes dentro de um mesmo quarto, e a lanterna que cada pessoa diferente nos empresta só permite enxergar uma pequena parte dele. Assim sendo, uma única lanterna, ou uma única opinião, não deveria nos bastar. Na realidade, uma vez acesa a luz, descobrimos que há muito mais pra ver. Além disso, mesmo quando tudo se esclarece, não existe um quarto universal, que todo mundo enxerga. A decoração e os elementos dentro dele são extremamente particulares á vivência e ao sentir de cada indivíduo.
Durante a minha vida, muitos mapas e lanternas me foram emprestados por muitíssimas pessoas, o que me permitiu e ainda me permite acender muitas luzes, e sou infinitamente grata por isso!
Então que tenhamos o hábito dentro da nossa rotina de sermos lanternas e mapas, não só pra si, mas para o maior número de pessoas possível, e que a gente transforme quartos em casas inteiras, e que quando olhar para essa moradia mesmo ainda com resquícios de reparo, estando perto ou longe, que não consiga sequer notar ou pensar que ela passou por alguma reforma.

.(Escrito dia 13/07/2024, ás 10:52).


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